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AEG se desentende com alunas e tenta suspender suas viagens para Bebedouro

De acordo com o B.O, as jovens foram impedidas de entrar no ônibus, pois haviam divulgado aos outros estudantes uma reunião com o presidente da entidade, Paulo Lago, o que causou-lhe descontentamento. Ele tentou suspendê-las por cinco dias sem base em regulamento interno

Cidade
Guaíra, 23 de agosto de 2018 - 07h42

A Polícia Militar foi acionada após o diretor da AEG impedir a entrada das estudantes ao ônibus, na tarde de segunda-feira (20)

 

 

 

 

 

 

 

 

Nesta última segunda-feira, 20, a Associação dos Estudantes de Guaíra entrou em mais um desentendimento com seus associados, após tentar evitar que duas alunas viajassem para o município de Bebedouro através do transporte universitário.

As jovens esperavam no ponto de ônibus do Posto Ypê, como de costume, mas, quando o veículo estacionou, foram impedidas de entrar por G.S., que também é integrante da diretoria da AEG, alegando que, por ordem do presidente da instituição, Paulo Rogério Lago, elas não iriam viajar com a condução, o que as deixou perplexas, pois as mensalidades encontram-se rigorosamente em dia.

A Polícia Militar foi acionada e, após uma conversa, conseguiu normalizar a situação. No entanto, as estudantes foram avisadas pelo diretor da Associação que através de uma mensagem enviada por Paulo elas não viajariam naquele dia. Assim, ambas procuraram a delegacia para registrar um boletim de ocorrência onde permaneceram até o final da noite.

O CASO

As alunas estudam em uma faculdade de Bebedouro e utilizam o convênio com a AEG para viajar diariamente para o município. No B.O., elas contam que o presidente tentou impedi-las de viajar em razão de divulgarem uma reunião ocorrida na última quinta-feira (16), na sede da entidade, na qual foram tratados diversos assuntos, como prestação de contas, valores indevidos, entre outros. Como o encontro foi gravado pelas garotas e disponibilizado no grupo de estudantes no WhatsApp, o fato causou descontentamento em Paulo.

A vereadora Ana Beatriz Coscrato Junqueira, que tem acompanhado as discussões entre os universitários e AEG e fiscalizado o serviço do transporte universitário, foi procurada pelas jovens na terça-feira (21) e as aconselhou a procurar o Ministério Público do Estado de São Paulo.

“Acho que a população tem conhecimento do que está acontecendo. Mas, quem ainda não sabe, é que a AEG está querendo cobrar um valor dos estudantes de Bebedouro referente a algumas viagens do dia de sábado. Por conta da maioria dos estudantes não viajarem aos sábados e a Associação querer jogar essa conta para todos, houve uma revolta entre os estudantes. Assim, duas representantes foram escolhidas pelos universitários de Bebedouro e foram pedir explicações para o presidente Paulo Lago. Essas meninas chegaram na Associação para pedir esclarecimentos, um levantamento sobre as contas da AEG, o que está acontecendo há muito tempo lá e informaram ao senhor Paulo que ele estava sendo gravado em nome de todos os estudantes que elas estavam representando”, contou a Dra. Bia.

“Nessa gravação, o senhor Paulo vai e vem e não explica nada com nada, não chega a conclusão nenhuma. Por fim, ele ficou sabendo que essas meninas deram um prazo para ele apresentar suas justificativas e esse balancete, e ele suspendeu essas duas alunas, deu uma suspensão de cinco dias sem frequentar as aulas”, complementou.

De acordo com a parlamentar, a suspensão da AEG alega que as alunas tiveram “falta de postura”, pois denegriram os diretores sem pensar na entidade. “Ele justifica que sabia que estava sendo gravado aquele áudio, mas que não tinha autorizado a gravação antes de ver se as respostas dele estavam corretas ou não. O que é ridículo e incoerente. Então, o que aconteceu na semana passada: na sexta (17), ele deu essa suspensão, as meninas não conseguiram ir. Segunda (20) foi uma briga para poder entrar nesse ônibus e as impediram, teve até polícia e elas ficaram até as 2h da madrugada fazendo o boletim de ocorrência na delegacia. E, na terça (21) ele já havia avisado que era para elas cumprirem a suspensão, porque ‘suspensão dada por ele é suspensão cumprida’ e que elas não iam entrar no ônibus hoje. Por isso procuramos o MP”, ressaltou a vereadora.

Após conversa com o promotor Dr. Tulio Vinicius Rosa, o mesmo fez uma recomendação ao presidente Paulo Rogério Lago, protocolada na Associação e na diretoria de educação – para que o governo tome ciência do ocorrido – orientando, em síntese, que o transporte que é organizado pela AEG é um serviço público delegado e que não pode ser suspenso de forma injustificada, ou cuja a justificativa corresponda a problemas internos da associação. Assim, o Ministério Público recomenda que não se adote nenhuma providência que impeça essas alunas de viajarem sob pena de sansões cíveis e administrativas.

“O que eu sei é que na terça (21), elas entraram no ônibus. Mas, para a gente ver a que ponto chega esse presidente da associação, a que ponto chega essa associação de estudantes, que se diz em defesa do aluno e o que a gente vê não é nada disso. É em defesa de qualquer pessoa que não seja estudante, inclusive, interesses obscuros. Acredito que já passou da hora de tomarmos uma providência aqui dentro da Câmara, independente deles pedirem para a gente pedir esclarecimentos e a AEG alegar que é privada, mas recebe dos alunos e recebe recurso público. Acho que devemos fazer uma convocação desses alunos aqui e tentar resolver a situação o mais rápido possível”, aconselhou a Dra. Bia.

 

 

 

 

 

 

 

OUTRO LADO

O Jornal O Guaíra tentou entrar em contato com o presidente da Associação dos Estudantes de Guaíra na terça e quarta-feira (21 e 22). Entretanto, as perguntas não haviam sido respondidas até o final da tarde de ontem.


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