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Encenação da Paixão de Cristo repercute negativamente na cidade

Público utilizou as redes sociais para reclamar sobre o atraso para o início do espetáculo, a falta de iluminação e telões, além de figurinos, menor número de atores, entre outros erros da apresentação; empresa licitada não cumpriu com alguns itens do contrato e prefeitura pode cancelar o pagamento

Cidade
Guaíra, 5 de Abril de 2018 - 10h07

A tradicional Encenação da Paixão de Cristo, realizada na noite de 30 de março, no Estádio José Zuquim Nogueira, através da empresa WJ Siviero ME, licitada pela prefeitura, foi motivo de grande insatisfação e desapontamento do público presente.

Os cidadãos utilizaram as redes sociais para apontar graves erros e problemas no espetáculo, como o grande atraso para o início da apresentação, a falta de iluminação, show pirotécnico e telões, além do baixo número de atores e figurantes.

Essa foi a primeira vez que uma empresa de fora fez o evento. Como a escolha da firma foi feita através de licitação, e não como concurso de projetos culturais – o que havia sido recomendado à prefeitura por sua consultoria –, os guairenses não entraram no edital por falta de documentação, o que acabou dando espaço para a WJ Siviero ME vencer o certame e ficar responsável pela principal peça teatral do município, pelo valor de R$ 43.600,00.

Os internautas destacaram outras situações do show, inclusive demonstrando itens que não foram cumpridos de acordo com o exigido pelo contrato com o governo municipal, entre eles: a distribuição de 5.000 panfletos para a divulgação; o termo de referência que previa todo o equipamento a ser utilizado e a quantidade de participantes.

Como a empresa iniciou a montagem do espetáculo apenas no dia 28 de março, as três cruzes foram levantadas apenas quando o estádio já estava lotado e aguardando o início do evento. Como a organização conseguiu anexar apenas uma, perfurando o campo de futebol, os “ladrões” ficaram em pé ao lado de Cristo.

O Jornal O Guaíra buscou opiniões de profissionais experientes na Encenação da Paixão de Cristo, como o artista Daniel Penasforte, responsável por mais de 10 edições em Guaíra. “Artisticamente, foi um choque para as pessoas que estavam acostumadas com um nível de cenário; e o deles foi muito precário, apesar de isso não ser falha, mas cai na comparação, é inevitável. A gente sempre colocou dois telões, pois a distância é muito grande, o que não ocorreu esse ano. Os figurinos eram inferiores, o que também não é falha, mas é inevitável cair na comparação”, afirmou.

Sobre a falta de jogo de luzes, Daniel lamentou a falta de emoção no espetáculo. “Nos anos anteriores, de nossa responsabilidade, contratamos uma empresa de São José do Rio Preto e um técnico em pirotecnia, que fazem toda a parte de efeitos especiais. O técnico, bem como a empresa, tem todas as credenciais exigidas por lei, inclusive do exército nacional. Nesse ano, eles não tiveram nada disso e, lógico, as pessoas aguardam o momento da morte com muitos efeitos, assim como o momento apoteótico da ressurreição”, completou.

Ao ser questionado sobre a diferença da direção de uma peça teatral como essa realizada entre empresas licitadas e organizações especializadas no assunto, Penasforte enfatizou que as OSCIPS (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) não visam lucratividade, mas sim a qualidade das apresentações, diferente de uma empresa, que busca obter maior lucro quando concorre em uma licitação.

“Como vê, não se pode classificar muita coisa como falha, apesar de terem ocorrido muitas, mas a avalanche de críticas vem muito mais do ‘estranhamento’ com relação à visível queda na qualidade do espetáculo”, expôs Daniel.

O OUTRO LADO

A reportagem dessa folha buscou respostas com o governo municipal, principalmente para as perguntas da população, feitas através das redes sociais, como os problemas ocorridos na encenação, as melhorias para a próxima edição de 2019 e se a prefeitura irá pedir o ressarcimento para a empresa licitada.

Em nota, a atual administração afirma que: “A WJ Siviero ME venceu licitação pelo valor de R$ 43.600,00, valor que ainda não foi pago, está empenhado. A Prefeitura estará notificando a empresa perante ao cumprimento de itens pré-estabelecidos no termo do edital. O processo licitatório ocorreu dentro dos trâmites normais nas condutas fundadas pelas jurisprudências do Tribunal de Contas e Tribunal de Justiça, estando legal o processo licitatório.”

 


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