Qui - 15/11
30º 21º 08:01
Guaíra - SP

Entrevista da Semana

Geral
Guaíra, 26 de novembro de 2017 - 10h28

Celinho do Banco: exemplo de organização e honestidade

Célio Aparecido Borges, 54 anos, casado com Sueli Ymon, pai de Paulo, que hoje está em Pelotas, no Rio Grande do sul e Otávio Augusto, que reside em São Paulo trabalhando com o Desenvolvimento de Jogos para videogame. Célio é formado em Administração, pela UNIUBE e possui vários cursos:  de Gestão Financeira, de Gestão de Operação e Serviço pelo Banco do Brasil e Curso de Controladoria Financeira. Aposentado, presta serviço para a Secretaria de Educação e faz parte da Diretoria da Santa Casa de Misericórdia de Guaíra.

 

Sempre estudou em Guaíra?

Sempre. Fiz o antigo primário na Escola Francisco Gomes, depois na Vicencina Morsoleto e, posteriormente, no Enoch Garcia Leal. Entrei no Banco do Brasil e fui fazer Faculdade já adulto, com 38 anos de idade. Mas jamais me esqueci dos professores que colaboraram para me tornar o homem que sou hoje: Dona Palmira Kamoi, Elza Natalina, Zilda de Oliveira, Prof. Arlindo Alves, Ercílio de Freitas, Prof. Muzza, Kátia Lacativa, Dona Wanda Talarico.

 

Quando entrou no Banco do Brasil?

Em 1983, terminei o colegial e vi que o Banco do Brasil era a minha única opção, aliás, minha melhor opção. Os amigos incentivavam dizendo que era um salário bom, o serviço era bom, que eu tinha perfil… Então, durante seis meses estudei com afinco. Abri mão dos passeios, estudei de manhã, de tarde, à noite, às vezes de madrugada, nos finais de semana, feriados e ainda trabalhava. Trabalhei durante sete anos na Autoescola Ouro Branco, do saudoso Joaquim Bianco e foi lá que tomei conhecimento do Banco do Brasil. A vontade do meu coordenador era ser funcionário desta instituição, eu passei e ele, infelizmente, não.

 

A carreira dentro do Banco

Comecei como Escriturário. Passei pela Carteira Agrícola, onde fiquei por sete anos e esporadicamente substituía o chefe, tive uma experiência com Cadastro, todo bancário tem que passar pelo Caixa, até que um gerente, Luis Carlos Burcle, que veio do Paraná, achou que eu não deveria ficar no Caixa. Então, me nomeou Assistente de Negócios para Empresas, mas fiquei apenas seis meses neste cargo, pois, posteriormente ele me nomeou a Gerente de Expediente.  Logo depois ele me voltou para “Empresas” já como Gerente. Então, meus últimos 17 anos no Banco foi substituído do Gerente Geral da agência, Supervisor do Autoatendimento e Gerente de Carteira.

 

Trabalhou fora de Guaíra?

Trabalhei somente três meses em Ipuã, fui substituir o gerente da Agência e voltei para Guaíra porque a promoção que me ofereceram não compensava financeiramente.

 

A aposentadoria

Para ser mais exato, eu trabalhei durante 31 anos, sete meses e onze dias de Banco (risos).

 

Você se sente realizado?

Com certeza! Trabalhar no BB foi uma experiência ímpar. Foi uma verdadeira escola e durante o período que trabalhei lá aprendi e ensinei, porque fui professor de muitos que trabalharam depois de mim. Isso proporciona uma bagagem muito grande. Assim, me sinto profissionalmente realizado, tanto que, no dia que me aposentei, disse: “Missão cumprida, quero agora partir para outros desafios”. Minha família é uma bênção, Sueli me dá todo suporte necessário, filhos nunca me deram trabalho, se formaram jovens ainda e cada um está seguindo seu caminho. Me sinto uma pessoa realizada e muito abençoada pela carreira que segui, pelos amigos que angariei, pela família que construí com a Sueli, pelos filhos, pelo reconhecimento que tenho dentro da sociedade. Vi muitas empresas nascerem, crescerem, prosperarem e carrego – com orgulho – quando vão me anunciar, em alguma empresa e a recepcionista diz:  “O Célio do Banco do Brasil está aqui”.

 

A Maçonaria

Participo da loja Maçônica “Fraternidade e Luz”. Toda Loja tem um número, a minha é 3602 e com oito anos fui Venerável da loja. Costumo dizer que a Universidades formam profissionais, a Maçonaria forma Homens!!! São preceitos de mais de 300 anos de histórias que foram lapidados ao longo desses três séculos. É uma Filosofia de vida realmente. Na loja a qual pertenço somos quarenta e três, a gente se chama de Irmão e se trata como Irmão. Conheço quase todas as Lojas da região e tive o prazer de conhecer uma em Pelotas (RS), Jaguarão (uma Bi-nacional, de brasileiros e uruguaios), e com mais três amigos fomos na Capital Montevidéu, nesta Loja tinha mais ou menos 150 pessoas, entre Argentinos, Uruguaios e nós quatro brasileiros. Fui o escolhido para falar e falei em Português, pausadamente, porque estavam anotando. Foi uma experiência sem precedentes. No Uruguai, a Maçonaria é o Poder! Lá o presidente é Maçom, participamos de um evento importante, e como era na Capital, a cúpula do governo estava lá: Procuradores, Presidente, Governadores, grandes empresários. Andando pela cidade, muito limpa, vimos que os estudantes estavam todos uniformizados, tudo bancado pelo governo e o Português é língua obrigatória no currículo escolar.

 

O desafio de participar da Diretoria da Educação do Município

O Diretor de Educação, Renato Moreira, precisava de um profissional com algumas características e achou que eu me encaixava no perfil para trabalhar na parte financeira e de administração da secretaria. O cargo é “Chefe do departamento de compras e administração da secretaria da Educação, Cultura e Esportes e Lazer”.  Estou lá há vinte dias, a mim está cabendo tanto a administração como também pelo departamento de compras. Um novo desafio, sem dúvida.  Um aprendizado novo.

 

Então você não pensa em parar?

Nem pensar! Hoje estou dando consultoria numa corretora de seguros de Agronegócios, Tesouraria da Santa Casa e agora na Educação. Na vida não podemos ter essa história de se aposentar para depois aproveitar a vida. Veja, tenho 28 anos de casado e nós, a Sueli e eu, já viajamos este Brasil de ponta a ponta. Agora, com o Otávio em São Paulo e o Paulo no Sul, viajamos com mais frequência ainda. É praia, é montanha, bons restaurantes (risos)…

 

A Santa Casa não é um grande desafio também?

Este desafio não foi lançado para mim, mas foi lançado para a nossa Loja Maçônica. Jonas Nogueira Lelis e eu estamos trabalhando, mas temos uma retaguarda de mais de 30 homens: empresários, diretores de Usina, corretores de seguros, contadores, que nos dão um suporte para que a Santa Casa dê certo. Nestes cinco meses que estamos nesta frente, não temos nenhuma dívida. Não tem atrasos. Até os impostos, férias de funcionários, tudo está em dia. Existem algumas coisas herdadas. Mas estamos trabalhando também em cima disto. Nós mandamos fazer um capacho para a entrada da Santa Casa e para sair daquele lugar comum de “seja bem-vindo”, lá estará escrito: “Seja bem-vindo à NOSSA Santa Casa” porque ela é nossa, é minha, é sua, é dos funcionários da prefeitura, é do povo de Guaíra, ela é nossa. Por isso mesmo ela tem que ser muito protegida pelos gestores, temos que zelar pelo que é nosso e a Santa casa Nossa!

 

Pessoas que você admira muito?

Durante meu período de banco tive exemplos de pessoas que se tornaram amigos para sempre: Rubens Katsuoka, Mario Higasiaraguti, Zeinho, Toninho Salomão, Alice Ogata, Aninha Saud, Cida Ribeiro  e  tantos outros que não esqueço. Foram meus professores assim que cheguei, depois me igualei a eles. Mas me marcaram para sempre!  Também admiro os prefeitos que já passaram por nossa cidade, como Dr. Aloisio. Como já viajei, muito são poucas as cidades que têm a estrutura que Guaíra possui. Por outro lado, pai Augusto e mãe, dona Cida são pessoas que a gente admira por natureza. Apesar não ter muito estudo, meu pai é uma pessoa sábia. Ainda hoje, seja em qualquer setor da vida, eu o consulto e o visito pelo menos duas vezes por semana para tomarmos uma cervejinha juntos. Ele diz tudo somente pelo olhar. Minha mãe é uma guerreira. Tem onze cachorrinhos que trata com o maior carinho. E não poderia deixar de falar da “Dona Sueli”, que na outra vida deve ter sido um Samurai, nunca vi tanta garra para encarar a vida, deu uma educação exemplar para nossos filhos, o orçamento do lar planejado e cumprido, companheira, esposa e amiga. Tenho orgulho dos meus filhos e dos meus sobrinhos, todos encaminhados muito bem pela vida.

 

Você tem alguns Hobbys?

Não parece né, mas tenho (risos)! Sou fotógrafo amador com uma câmera profissional. Sou o fotógrafo oficial da Maçonaria, da família e ultimamente fui até chamado para fotografar em um aniversário. E eu fui (risos)! Acho que a fotografia registra um momento único da vida e que fica eternizado. Fotografo nossas viagens, nossos passeios, em casa, nosso lago. Outro dia registrei uma foto no lago, era outono, o chão estava forrado de folhas e a árvore florida. A luz do sol ajudou e ficou uma foto de quadro! O outro passatempo é que sou Filatelista desde os 12 anos de idade. Devo ter mais de sete mil selos, todos organizados em álbuns, somente algumas pessoas sabem e estou sempre me atualizando, não vejo como investimento, mas como passatempo. Um dos mais antigos vem da data do meu nascimento 1963. Mas tenho alguns selos raros, por exemplo: do milésimo gol do Pelé, das visitas dos presidentes estrangeiros ao Brasil, do Airton Senna, do Emerson Fittipaldi, do Nelson Piquet, tenho selo praticamente de todos os países, mas devo admitir que o selo brasileiro se destaca pela sua beleza.

 

Futuro de Guaíra

Eu penso que no patamar que nossa cidade chegou em termos de política, de progresso, ela não pode retroceder jamais! Hoje, com toda tecnologia, com as pessoas capacitadas, temos que almejar um mundo melhor, temos que querer o melhor para cá. Não tenho uma posição partidária forte. Meu partido é Guaíra. Guaíra também é nossa!!!

 

Quem você traria, se fosse possível, do plano espiritual, para um abraço?

Meu amigo Zeinho! Teria grande prazer de abraçar de novo meu grande amigo!!!


TAGS:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

OUTRAS NOTÍCIAS EM Geral
Ver mais >
Acompanhe nossas atualizações. Siga-nos