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Entrevista da Semana

Maria Aparecida e a linda paixão pelo Guaritá

Cidade
Guaíra, 21 de Janeiro de 2018 - 09h51

Maria Aparecida Dantes Hipólito, 59 anos, mãe de Angelita Hipólito e avó de Luis Felipe, é funcionária pública e exerce o cargo de presidente do Bairro São José do Albertópolis, o Guaritá, há várias legislaturas. Começou no mandato de José Carlos Augusto e, de lá para cá, nunca deixou a função. Afirma que tem paixão pelo Guaritá e que não saberia mais viver em outro lugar.

 

Onde Dona Cida Nasceu?

Nasci em Morro Agudo (SP), mas desde os 6 anos estou na região de Guaíra. Vim com a família para a fazenda Realeza, do Sr. Realino. Morei lá até os 12 anos. Conheço o Milton Realino e Dona Maria Luisa. Depois fomos para a fazenda Bambu. Voltamos para a Realeza novamente. Morei ali, naquele meio: na Lagoa dos Patos, na fazenda Mata do Sr. Mario Scofoni… Dona Marta me conhece desde criança, fui colega de escola do Reinaldinho e da Claudinha. Fiz da primeira até a quarta série na fazenda Realeza. Minha mãe era “sopeira” da escolinha da Realeza. Passaram por ali as professoras Dona Zenaide; Dona Neusa, filha do Seu Lazinho; Dona Neusa Pereira; Dona Ivani, esposa do Tiãzinho Bento; Dona Dirce, todas elas excelentes, que deixaram bons ensinamentos e saudades.

 

Até quando estudou?

Até a quarta série. Minha mãe foi muito guerreira, éramos em oito irmãos, moramos na Fazenda do Sr. Martim Oride, do Chiquinho Oride e dependíamos muito da lavoura. Precisava-se muito de mão-de-obra, então fui ajudar.

 

Como foi parar no Guaritá?

Me casei e fui morar na Fazenda Limoeiro e depois fui para a fazenda Vera Cruz, que hoje é a Guaritá. Morei na Fazenda Fortaleza, do Seu Orlando Talarico e depois fui para a do Luis Carlos Junqueira, que todos conhecem como “Luis Carlos capeta” e aí compramos esta casa no Guaritá, onde estou até hoje.

 

Nunca deixou este cargo de Presidente do Bairro?

Já tentei passar o cargo várias vezes, mas ninguém quer (risos). É uma tarefa gratificante e estressante. Muitas vezes, a população do Guaritá pensa que não estou agindo, mas nunca deixei de reivindicar melhorias para o meu bairro. Hoje eu faço parte da limpeza da Escola do nosso Bairro.

 

O que o bairro mais necessita atualmente?

Precisa de tudo! Iluminação é precária, o asfalto precisa ser recapeado, a Escola precisa de uma reforma, uma pintura e que se coloque uma porta. Há muito tempo existe a porta, mas ele nunca é colocada. Hoje, temos um carro que serve de ambulância, há os “ambulanceiros” que ficam 24 horas, no entanto, médico somente uma vez por semana. O que mais queríamos lá era um enfermeiro 24 horas. Sempre pedimos isto para todos os prefeitos. Já teve o Ângelo lá, mas depois que ele saiu não teve quem o substituísse. Praticamente o Guaritá está esquecido.

 

As autoridades visitam o Guaritá?

Quem mais visita o nosso bairro é o vereador Rafael Talarico. Ele está sempre por lá, conversa com a gente, com as outras pessoas, ele demonstra muita boa vontade. Ele conhece as estradas, sabe dos problemas, porque tem terra por lá. Eu sempre consigo as coisas através dele. A vereadora Maria Adriana também vai muito no Guaritá. São estas duas pessoas que estão sempre presentes, sempre escutando a gente.

 

A senhora acha que o Guaritá merece ser emancipado?

É o que todos querem. Eu queria que a arrecadação da Ponte Queimada ficasse no Guaritá. É um sonho. Mas, eu não tenho conhecimento de como fazer para emancipar nosso bairro. Não tenho este poder! Nós pagamos IPTU, água, taxas, mas a iluminação das ruas é péssima. Pagamos Imposto regularmente.

 

Quantos habitantes tem hoje por lá?

Tem poucos. Guaritá virou uma cidade dos aposentados, dos velhos. Estão acabando os velhos, está acabando o Guaritá. Os jovens têm que vir para a cidade para estudar. Mas eu adoro aquele lugar… Gosto dos meus forrozinhos aqui na cidade, mas acabou o forró. Não tenho vindo dançar no forró de Guaíra, porque pararam de ir buscar. Nem o Padre está indo rezar missa. Temos uma capelinha linda que o Fiote construiu. Tem cidade que não tem uma igrejinha linda como a nossa.

 

Como o pessoal do Guaritá se diverte?

Antigamente o Fiote fazia bailes. Tinha quermesse, tinha Festa do Peão, tinha as festas do São José, acabou tudo! Dia de São José, o Prefeito dava o som com uma bandinha ao vivo, isto já era do calendário de Guaíra, eu fazia parte das reuniões com a primeira dama quando ela ia fazer o cronograma das festividades. Tinha as Festas Juninas e o prefeito dava as quitandas para o bairro inteiro. Quando acabou o mandato do Zé Carlos Augusto, acabaram as festividades. Nem o dia de Nossa Senhora Aparecida comemoramos mais. Hoje, conseguimos muito pouco para o bairro. Dia das crianças também não existe mais.

 

Para terminar, o que a Senhora gostaria de dizer?

(Emocionada) Sei que a dificuldade está muita no Brasil inteiro, mas gostaria que os políticos lembrassem que Guaritá existe. Eu não quero reuniões, eu quero soluções. Não adianta as pessoas que moram aqui irem lá para solucionar os nossos problemas. Somente quem mora lá sabe onde estão as dificuldades. Nós sentimos a dificuldade na pele. Gostaríamos que eles perguntassem para cada um de nós as nossas necessidades. Por exemplo, queria que o rapaz que dirige o ônibus, que ele morasse lá. Tem trabalhador que vai para as fazendas e volta somente à tarde. Então, sei a dificuldade que cada cidadão do Guaritá passa. Conheço todos eles. Sei quem vai fazer compras. Sei a precisão de cada morador.  Queria também um segurança na praça para coibir as drogas. Queria que um Deputado, desses grandões, que fosse conhecer o Guaritá. Gente, o Guaritá é um lugar maravilhoso, mas ele precisa existir!


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