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Entrevista da Semana

Teresa Shikako e sua fidelidade a Deus

Cidade
Guaíra, 11 de Março de 2018 - 10h29

Tieca Shikako nasceu em Mariporã (SP), que na época pertencia a Franco da Rocha. Passou sua adolescência por lá e veio para Guaíra a pedido dos parentes que residiam aqui. Por muito tempo achava que os alimentos tinham cheiro e gosto de poeira, depois que se acostumou e agora não troca Guaíra por nenhuma outra cidade. Filha mais velha de Nobuo Shikako e Tomeki Shikako, tem mais cinco irmãos. Gosta muito de ler e tem algumas paixões: pelos animais e pelo Palmeiras! Possui dois cachorros e quatro gatos! Está aposentada e em outros tempos foi cogitado de oferecer-lhe o título de cidadã guairense pelas mãos de Dr. Cecílio e o saudoso José Antonio Lopes.

 

Como surgiu este nome de “Teresa”?

Este nome surgiu no dia do batismo. Quando fui ser batizada, naquela época, o Padre não aceitava um nome estrangeiro, então minha madrinha, ali, na hora, na pia batismal, me deu o nome de Teresa.

 

Então você iniciou seus estudos lá em Mairiporã?

Na verdade estudei em Perus e Franco da Rocha, antigo Juquiri, onde fiquei até o ano de 1956.

 

Qual foi o seu primeiro trabalho?

Comecei bem cedo, ajudando meu pai na feira lá em Franco da Rocha.  Depois, aos 12 anos, fui trabalhar como caixa de um bar. Quando chegamos em Guaíra, fui trabalhar na roça, na fazenda Coqueiros, da Família Aratani. Lá, fazíamos todos os trabalhos, juntávamos uma turma e íamos catar algodão. Foi um aprendizado. Pouco tempo depois, viemos morar na cidade e me empreguei na Loja dos Irmãos Kato. Era um posto de gasolina, mas, abriram uma loja de presentes e assim fui ficando! Trabalhei nesta loja por 15 anos. Mas, trabalhei também no posto do INPS, que hoje é INSS. Passei ainda pela Casa de Cultura, mas, infelizmente precisei sair para cuidar de minha mãe, que ficou doente.

 

E na Igreja?

Na rua 16, quase em frente à Escola Francisco Gomes, meu tio tinha uma pensão e morávamos. Fui trabalhar no Kato e minha irmã na Farmácia do Eloi.  Não tínhamos nada a fazer à noite, então, íamos para a Igreja. Tinha missa todos os dias. Como eu gostava de cantar, Padre Orlando me convidou para cantar no Coral da Igreja. Tudo que o Padre Orlando ia fazer ele convidava o pessoal do coral para participar. Começamos com as três quermesses principais que tinha em Guaíra: em janeiro, em frente à casa Paroquial, em maio e em agosto, no Seminário. Lembro bem que Padre Edisson e Padre Gustavo foram os primeiros a chegar no Seminário. O programa de domingo era limpar o chão do seminário. A Marlene Scofoni e Jacira sempre nos incluíam nos preparativos da Igreja. Isso já faz 55 anos que estou envolvida com as “coisas” da Paróquia.

 

Você se lembra quantos Padres já passaram por aqui?

Muitos! Me lembro bem do Padre Luis Mosconi, que faleceu em Guaíra, veio o Padre Orlando, Padre José Seminatti, Padre Valdeci do Espírito Santo; sempre estavam em dois Padres aqui em Guaíra. Veio depois o Padre Francisco, Padre Vicente e, atualmente, Padre Edisson. Muito deles já falecidos. Padre Valdeci tinha um pouco de psicólogo. Conversava muito com as pessoas e sabia o que elas estavam passando… Lembro que Padre Orlando criou um grupo formado somente por japoneses que se chamava “Estrela da Manhã”, onde faziam parte a Anita Nomiama, irmã do Sadao, uma das meninas da famílias dos Nishi, minha irmã Tica, minhas primas, porque queriam que os japoneses participassem mais da Igreja.

 

Sua distração eram somente as quermesses e missas?

Havia também as brincadeiras dançantes, nas garagens das casas (risos). Fazíamos muita serenata, sempre gostei de cantar. Até participei de um concurso de canto no Kai-Kan. O Senhor Saito tinha uma banda que acompanhava os participantes. Hoje eu não tenho mais coragem (risos).

 

Dá trabalho organizar os eventos da Igreja?

Na verdade somos uma equipe. O maior dom que Deus me deu foi saber escolher as pessoas para o lugar certo! Começamos a organizar, por exemplo, o Almoço da Paróquia, em Maio, para ele sair em Agosto! Não tenho nenhum mérito. O mérito é das pessoas que trabalham. Já coordenei encontro de Jovens e Adolescentes porque escolhia as pessoas certas para os lugares certos. Então, trabalhei em Cursilhos e várias pastorais. Mas, nunca fiz nada sozinha, sempre com as diretorias e equipes formadas por pessoas sérias e competentes.

 

Faz muitos cursos até hoje?

Sempre estou sendo chamada para fazer cursos. Mas, como eu disse, dentro da Igreja para tudo existe uma equipe. Somos um conjunto!

 

E os domingos?

É interessante que sempre temos um almoço para ir aos domingos. Sempre vamos em trio (risos). Somos convidados sempre o Padre Edisson, o Padre Luis e eu. Quando convida um, quem convidou já sabe que vão os três.

 

Saudades?

Tenho vontade de rever o lugar onde nasci. Faz muitos anos que não vou lá, mas hoje é o centro da Febre Amarela, não dá para visitar. Tenho uma irmã, a Elza, que ajudou a construir a Canção Nova, junto com o Padre Jonas. Tenho uma irmã no Japão, tenho outra irmã casada aqui e um irmão em São Paulo.

 

Para finalizar

Gostaria de fazer um agradecimento coletivo. Conheço muita gente, mas tive amigos que rezaram por mim, que olharam por mim nas minhas enfermidades. Sou grata a Deus e à minha mãe. Minha mãe nos deu educação, nos criou sozinha, mostrou o caminho certo, foi uma guerreira!  Fico triste, hoje, vendo as crianças que trocaram as brincadeiras tão saudáveis de antigamente pela tecnologia. Os celulares estão distanciando as famílias. Deixo um pensamento de Santo Agostinho: “Ama e faz o que quiseres!” O amor é o centro de tudo!


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