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Entrevista da Semana

Daniel Penasforte: a arte de viver dentro do teatro

Cidade
Guaíra, 18 de Março de 2018 - 10h40

Lourival Daniel Penasforte, 51 anos, casado com Cinira Regina da Silva Penasforte, pai de Diego, Bianca e Camila, avô de Maria Luisa de 4 anos, Nicole de 3 anos, Lívia de um ano e meio e Isabela de 8 meses. Estudou em escolas públicas em nossa cidade e é graduado em Artes Cênicas, especializou-se em Teatro e Educação, em Dança e Educação e Educação Musical. Fez também um curso de Gestão Cultural na USP. É altamente qualificado quando o assunto é Teatro, Cultura e direção.

 

Como surgiu essa paixão pelo teatro?

Meu pai – Antonio Penasforte – conhecido como Pichico, sempre escreveu peças para aqueles circos que vinham para a cidade e ficavam quatro, cinco, seis meses! A primeira parte desses circos era normal, com palhaços, malabares e a segunda parte era destinada aos dramas. Então, ele escrevia essas peças. Como o circo ficava muito tempo, ele escrevia, ensaiava e algumas vezes até atuava. Depois, foi para a Casa de Cultura, com o pessoal que tinha por lá: Dagoberto, Jô Costa, Zezé… Em 1985, ele montou o Grupo Renascer da Alegria. Eu era muito tímido, então, minha função era abrir e fechar cortinas. Um dia, um dos artistas faltou e eu o substitui. Acabei tomando gosto.

 

E suas próprias peças, como começou?

Comecei ajudando meu pai. As primeiras peças do grupo ele quem escrevia. Comecei passando a limpo, porque somente eu entendia a sua letra. Eu reescrevia as peças para alguém datilografar. Assim, mexendo nas peças dele fui entendendo os mecanismos da dramaturgia. Baseado em filmes, nos Trapalhões, acabei produzindo uma peça que todos gostaram. Desta forma era representada uma peça dele e uma minha.

 

Teve grande aceitação popular?

Muita aceitação. A Casa de Cultura lotava. Naquela época tinha o mezanino então lotava em baixo, lotava em cima.  Era um sucesso este grupo de teatro. Muitas pessoas passaram por ali. Inclusive o Mario Penca começou conosco, depois ele montou seu próprio grupo de teatro. Então, veio o sonho de fazer uma faculdade, até que abriu Artes Cênicas em Ribeirão Preto.

 

A faculdade ajudou?

A Faculdade trouxe muito aprimoramento. Pude multiplicar meus conhecimentos. Como é impossível viver somente de teatro, fui dar aulas e me especializei na arte do “ensino do teatro”. Aprimorei a parte didática. Então, estou respirando teatro praticamente desde que nasci.

 

Qual de suas peças fez mais sucesso?

Uma peça que precisei montar várias vezes foi o “Filho Adotivo”, porque era muito emotiva, baseada em uma música.

 

Foi revelado algum talento?

Eu ouvia muito na faculdade, inclusive do coordenador do curso, Hamilton Monteiro, que dizia que a pessoa que quer enveredar por este caminho tem que ter talento e vocação. Passam muitas pessoas que têm o talento que enche os olhos, mas não tem a vocação de ser ator. Ele não quer aquilo para a sua vida. Mas, tem, por exemplo, a Laura Clemente que já fez inclusive vários comercias para a televisão.

 

Ganhou algum prêmio?

A peça “Um causo de amô” foi premiada no Mapa Cultural Paulista, onde ganhei o premio de “Melhor texto Original”. O interessante desta peça é que ela foi escrita muito antes do filme “O casamento de Romeu e Julieta” estrelado pela Luana Piovani, que conta a história de um Palmeirense roxo e uma Corintiana. Muitas pessoas pensam que me baseei neste filme, mas minha peça foi exibida muito antes… Foi o filme que se baseou na minha peça (risos). Ganhei também um prêmio com a peça “Fantasma do teatro”. E mais um prêmio de escritor revelação. Tudo muito gratificante!

 

E hoje?

Continuo com as oficinas na Casa de Cultura. Fazemos as mostras no final do ano. Quando tem projeto eu faço a gestão.

 

A Paixão de Cristo ainda é a menina dos seus olhos?

Esta encenação mexe comigo. É um espetáculo que a prefeitura investe recursos. Envolve um grande número de pessoas. Quem tem uma paixão pelo teatro como é o meu caso, chega a emocionar.  Eu vivi intensamente todos estes anos nessa encenação. Sou o primeiro a chegar aos ensaios e o último a sair. Sempre acreditei neste projeto. Se ele é grande hoje, não posso esquecer o pessoal que começou comigo, lá atrás, na Casa de Cultura. Algumas dessas pessoas chegam à noite, ainda com o uniforme da Usina, com seu crachá, chegam entusiasmadas querendo participar,  dar a sua contribuição.  Acredito que se não tiver esse envolvimento com a comunidade, não tem razão de ser.  Augusto Boal dizia que “as pessoas têm que deixar de ser plateia para serem atores”. É o que eu penso da nossa encenação: esse momento em que o funcionário deixa de ser o funcionário de Usina para ser um personagem de uma história que todos conhecem, todos sabem o final, mas ainda se emocionam e querem assistir. Por todos os lugares pelos quais passei, que existe a encenação da Paixão, há um envolvimento da comunidade. Guaíra não é diferente!

 

 Gostaria de agradecer alguém?

Ao povo de Guaíra. Tenho uma gratidão enorme por estas pessoas de nossa cidade. Sempre me acolheram e abraçaram comigo os eventos, principalmente os figurantes e voluntários que fazem parte desta encenação da Paixão.  Existem pessoas que chegam com a criança vestida de anjo, porque fizeram promessas… Quero agradecer minha família, sempre me apoiando, agradecer a todos os governos municipais que investiram no projeto. A comunidade de nossa cidade tomou este evento como uma das encenações que já fazem parte do calendário da Páscoa. Existem pessoas que assistiram desde o primeiro e continuam assistindo. Este carinho que tenho recebido através das redes sociais é muito gratificante, muito animador… Só tenho mesmo é que agradecer!

 


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