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Entrevista da Semana

Vilsa: a importância da atividade física na vida das pessoas

Cidade
Guaíra, 17 de junho de 2018 - 11h34

 

 

 

 

 

 

Vilsa Alves de Lima, casada com Carlos Alves da Cruz, é uma pessoa extremamente dinâmica, atuante e sensível. Desde 1993, está envolvida com a “melhor” idade. É formada em Educação Física e exerce o cargo de professora da rede pública até hoje. Foi colega de turma do vice-prefeito Renato Moreira, quem ela rotula como um “parceirão”. É guairense, é inteligente e pretende ainda ver nossa cidade – que já é um modelo – ficar ainda mais acolhedora. Convida os cidadãos para conhecer o projeto da melhor idade, que abrange muitos profissionais, e tem o desejo de ver o aluno com atitudes cada vez mais cidadãs, mais exemplares!

 

Sempre estudou por aqui?

Sempre! Comecei com a pré-escola e tive como professora a Telma Zuquim, quem me marcou muito! Foi minha primeira professora, me instruiu muito! Depois fui para a Vicencina, para o Enoch. Sempre tive vontade de continuar, de fazer algo melhor.

 

Sua opção pela Educação Física vem de pequena?

Na verdade, tive opções para várias atividades, mas vendo o Totonho Elias como professor, a Márcia do Naoshi, a professora Angela, de Barretos, dando aulas, me influenciaram muito.  Como sempre gostei, fui querendo cada vez mais. Quando estava no primeiro ano da Faculdade, precisavam de professor substituto nesta área. Foi na Escola Zezinho Portugal, a Marcia me deu muito incentivo e entrei como estagiária. Tudo que eu via e aprendia na faculdade sobre iniciação esportiva, trazia para estas 5ª e 6ª séries.  Era uma recreação diferente, uma iniciação, tudo eu desenvolvia com estas crianças.

 

E nunca mais parou…

Já dei aulas para crianças, jovens adolescentes, mas me identifico muito mais com a terceira idade!

 

Como começou sua saga junto à terceira idade?

Fui convidada pela ex-primeira dama, Badia Junqueira, para desenvolver um trabalho junto com os idosos. Já existia um projeto, mas era mais a nível assistencial e o que se pretendia era um trabalho com as atividades. Comecei e estou até hoje.

 

Quais são as atividades desenvolvidas hoje pela melhor idade?

Hoje, esta terceira idade que está aí arrebanha pessoas desde 58, 59 anos de idade, porque já vamos preparando para os 60 anos. A nossa clientela de agora, de 60, 70 anos, não foi trabalhada anteriormente. Na verdade, eram trabalhadores braçais, cuidadores da casa, dos filhos, de netos, moravam nas fazendas. Então, não é fácil para eles terem um inicio de uma atividade.

 

O problema é só iniciar na atividade física?

Vai muito além disso! Nós temos as reuniões e tentamos direcioná-los de acordo com a aptidão deles:  para o bordado, a pintura, para o EJA, quem tem uma habilidade maior já direcionamos para o basquete, para o vôlei, para a natação. Depende do que a pessoas estão querendo!

 

Tem atividades o ano todo?

Tem o ano todo, começa com Fevereiro, com o baile de carnaval, tem a Páscoa, comemoração do dia das mães, do dia dos pais, festa junina, em Setembro tem a semana da terceira idade, depois vem as eleições, em Novembro tem o amigo secreto… Fora que eles participam em todos os eventos que existem na cidade, se apresentam com dança, estão sempre ocupando!

 

E existem pessoas que “fazem tudo”?

Temos idosos que fazem quatro, cinco atividades ao mesmo tempo: por exemplo, terças e quintas estão no Coral; segundas, quartas e sextas estão no vôlei e saem de lá para a caminhada; participam das reuniões, em horários diferentes. Tem o atletismo e as caminhadas orientadas, isto é vida!

 

Em quem você se espelha?

Eu me espelho muito em meu pai, que vai fazer, se Deus permitir, 102 anos em Agosto. Seu Benigno, desde os 50 anos, começou a fazer atividades e nunca mais parou! Hoje, eu passo exercícios que ele faz em casa, com pesinhos, caneleiras, faço o fortalecimento dos membros inferiores e superiores e vejo que ele é a prova viva que o exercício físico é de suma importância para o ser humano.  Por isso, sou uma entusiasta da atividade física. Por isso, dou aula com entusiasmo. Sei o que ela faz, o que proporciona! Depois das minhas aulas, tem sempre um momento de reflexão, fazemos uma oração, independente da religião de cada um, agradecemos, e bato na tecla: “o inimigo está ao lado…” Falo isso principalmente para aqueles que querem esmorecer! O inimigo fala: “mais um que peguei…” Hoje, se eles quiserem viver têm que fazer atividade… O momento é de cada um!

 

Você tem a sensibilidade de perceber o que cada um dos idosos necessita no momento?

Percebo!!! Coleciono histórias incríveis. Por exemplo, tem um senhor de 84 anos que durante 5 anos cuidou da esposa acamada. Depois, os filhos foram vendo que era ele quem precisava de cuidados e quando ele chegou para o projeto veio aberto a aprender. Hoje, ele participa do atletismo. O sonho dele era aprender a ler e escrever. Ele foi direcionado para aprender e ninguém admite que está velho para isso! Lá, ele é convidado para um aniversário, conversa com pessoas da sua idade, tem um professor que vai lhe dar atenção… Quando ele conseguiu juntar as letras para fazer o nome dele, foi um momento maravilhoso! Há ainda outra historinha verdadeira de que outro senhor ficou casado por 45 anos. Separou-se e conheceu outra pessoa e está, pouco a pouco, realizando seus sonhos: comprou um carro zero, frequenta restaurantes, aprendeu a dançar, vai aos bailes em Barretos, Ipuã, e confidenciou que nunca foi tão feliz na vida. Nós incentivamos estes sonhos. Uma senhora já está viúva há muito tempo e, incentivada pelos filhos, a encontramos e a convidamos para participar; hoje ela faz o bordado, viaja, teve vontade de fazer uma operação plástica nos olhos e é outra pessoa. Participamos dessas mudanças, acompanhamos estes sonhos…

 

Então, a pessoa muda?

Completamente! Existem avôs, avós, que tinham uma vida pacata! Viviam implicando com os netos. Agora, são mais abertos, são mais felizes, porém, é a pessoa que tem que querer, é ela que tem que se modificar e procurar para receber o bom e o ruim. Se a pessoa estiver aberta para isso ela absorve o bom e descarta o ruim…

 

É isto que te realiza?

Sim, porque nisto eu vejo meu pai! Todas as manhãs eu tomo café com ele, caminhamos uns 6, 7 quarteirões, faço a fisioterapia nele, o fortalecimento, ele varre a calçada, tudo supervisionado. Todos os filhos participam desses cuidados. No feriado, depois de todas estas atividades, ainda quis dar uma volta no lago. Fomos, ele observava os locais e verificava o que mudou, porque sempre deu muitas voltas quando era mais novo. Ficou maravilhado com tudo. Isso me realiza e me motiva. E cada vez mais me confirma que a atividade física é primordial.

 

Quantos idosos participam do projeto?

Em média umas 300, 350 pessoas que, ao me ver, ainda é um número pequeno. Poderia ser muito mais! Para aumentar este número precisaria de mais parcerias, com os médicos, por exemplo, para encaminhá-los. Eles ouvem os médicos, se eles os encaminharem para nós, eles virão. Nós temos uma parceria com a saúde que é muito boa, mas falta um trabalho maior, nós já caminhamos muito, mas falta ainda muito para caminhar! Hoje, a proporção é de 15 homens para 100 mulheres. As mulheres são mais dinâmicas, mais atuantes, menos acomodadas. Eu, por exemplo, viso muito trabalhar a musculatura para impedir que uma queda deixe o idoso acamado e dependente.

 

O que falta?

Tem muita coisa voltada para os idosos, mas falta, por exemplo, o transporte! Temos que cuidar dessas pessoas que estão envelhecendo! Temos a obrigação de projetar um futuro mais tranquilo para estas pessoas que, fatalmente vão envelhecer. Gostaria de ver uma cidade mais limpa, menos buracos, mais educação, quero ver estas crianças, que estão hoje na escola, se tornando homens de bem, bons cidadãos, não deixando tudo para o poder público fazer. Cada um pode fazer a sua parte, reclamar menos e agir mais!!! Adotar uma praça, varrer um pedacinho de rua, espero um pouquinho mais de contribuição.

 

Agradecimento

Quero agradecer a Deus pelo amadurecimento que me permite proporcionar uma contribuição melhor para o meu semelhante! Além da minha família, eu adquiri outras famílias, as dos idosos, e quero pedir a Deus muita Saúde e Sabedoria. Não quero bens materiais, não quero dinheiro, somente o suficiente! Tenho convicção que vim para fazer a diferença e sinto que faço essa diferença. Ninguém vem aqui para nada! Temos conosco um porquê, e eu procuro este detalhe para servir meu semelhante.


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