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Entrevista da Semana

Marcos Barros e seu puro amor pela FANEGAL

Cidade
Guaíra, 8 de julho de 2018 - 07h34

 

 

 

 

 

 

 

Marco Antonio Alves de Barros, casado com Zilda S. S. Barros, é pais de três filhos: Alessandro, Evandro e Rodrigo e possui seis netos: Marcos Neto, Bianca, Emily, Evandro Filho, Pedro Otávio e João Pedro. Está aposentado depois de ter trabalhado 22 anos na rede bancária, mas  até hoje não consegue ficar parado e afirma ser um benefício ter começado a trabalhar cedo. Tem a sua chácara como um recanto de lazer e prazer. Guairense de alma e coração, Barros aliou seu nome à FANEGAL por puro amor, o mesmo sentimento que demonstra ao sobrenome que carrega com orgulho. Faz questão de se lembrar que seus pais, José Alves de Barros e Lucinda deixaram mais que um sobrenome, mas também exemplos de honestidade e trabalho.

Você tem saudades da nossa Guaíra antiga, ou não é saudosista?

Quando a gente começa falar de Guaíra vai um dia inteiro! Um dia, no mercado, me encontrei com Hélio Trink e a dona Dirce. Enquanto a dona Dirce foi fazer a despesa, eu e o Hélio começamos a nos lembrar do passado de Guaíra. Dona Dirce fez toda compra e nós tivemos uma prosa proveitosa. Aí, pensamos: será que essa meninada daqui alguns anos vai ter esse mesmo assunto que nós tivemos aqui? Esse assunto gostoso, saudável, de recordações? Infelizmente, acho que não vai ter.

 

Como surgiu esse amor pela FANEGAL?

A Fanegal foi desde 68, quando tive a oportunidade, a felicidade de ser aprovado, porque naquela época fazíamos um teste e conseguir essa felicidade.

 

Foi assim que você conviveu com o professor Álvaro?

Sim, convivi durante uns 15 anos ou mais com o professor Álvaro dentro da fanfarra. Mesmo depois saindo eu o ajudei, fiquei uns tempos na retaguarda.

 

Vamos entrar no assunto então, a Fanegal estava praticamente paralisada aí você conversou com a Cessa…

Através de um convite da Cessa, cada escola Estadual foi agraciada com um kit de instrumentos e a Fanegal também agraciada com esse kit.  Recebi o convite para poder ver se erguia a Fanegal novamente, porque ela já estava parada por 10 anos.  Havia uma curiosidade entre os alunos mais novos: o que seria esta fanfarra, muitos alunos não sabiam o que era. Então, tivemos que explicar e conseguimos, através dos ensaios, devagarzinho, devagarzinho, porque de vez em quando aparecia um aluno, aparecia outro e a gente ficava aquela expectativa de formar um grupo. Graças a Deus e graças a um ex-integrante também, porque a força maior veio de alguns integrantes da antiga fanfarra. Assim, comecei a convidar os amigos mais antigos e começamos a resgatar a trajetória das memórias, puxar pela memória de como eram os toques, já que não havia mais nada guardado da banda.

 

Foi assim que ressurgiu?

Sim, hoje o cérebro é o computador, tem tudo gravado tudo ali.  Mas, antes, você começava no primeiro toque. Cito alguns nomes essenciais, como o Canhotinho, que para mim era o pulmão da fanfarra; e outros também – se esquecer alguém, peço desculpas – como: na percussão, a Cida Abdala, o Jarson Abdala, Charles, Denis, Ademar Barros Lelis, Walisson, Milton (fotógrafo), a Regina Célia, Vera Botelho, Rabilê, Bia Vacaro, Wanderléia, Maria Helena Nogueira, Tereza, Célia do Canhotinho, Carlos Alberto, Evandro Barros, Sidnei Duarte, José Antonio do Cartório, o Fernando (meu irmão), Evandro (meu filho)… Ali formei… Eram três gerações: eu, meu filho e o filho dele, o Evandro filho.

 

Quanto tempo você ficou até colocar ela em ação?

Comecei os ensaios e a trabalhar, fizemos um grupo, ensaio todos os dias, a meninada naquela empolgação… Havia o interesse dos alunos, ensaiavam todos os dias e a frequência era de 90 a 100% que é importante para fanfarra. Meus alunos eram muito disciplinados, eram uns 100 a 150 e eu sabia o nome de cada um. Até queria citar aqui o Nivaldo, lá do senhor Nelson, que me ajudou muito neste quesito. Então, começamos a trabalhar e, mais ou menos em outubro de 2006, já estava com a fanfarra pronta.  Ensaiamos sem pretensão de nada para fim de ano, minha intenção seria trabalhar para 18 de maio do próximo, em 2007. Aí alguém falou que tinha o “Natal na Praça” e pensei que alguém fosse intermediar a nossa apresentação, que era somente descer pela Avenida sete, dar só uma volta por frente do palanque, se apresentar e sair novamente. Mas quando o povo ouviu a Fanegal foi fechando e aplaudindo.

 

E depois disso?

Nós subimos a Avenida nove, porque inclusive íamos parar de tocar e o povo pediu para continuarmos, todos nos incentivando.

 

Ali foi a primeira apresentação depois dos ensaios? E houve algum tipo de patrocínio?

Sim, primeira apresentação informal! Quanto ao patrocínio, tivemos o apoio da câmara em relação a uniformes. Quero contar tudo isso independente de política. Tenho um desgosto sim, porque no começo eu alimentava fanfarra, dormia fanfarra, a minha vida era a fanfarra, eu me empolguei tanto que até hoje eu sinto pelo seu fim. Apesar de hoje não ter aquela disposição, tenho muito sentimento em relação à Fanegal, em Guaíra. Depois daquela apresentação, nos preparamos para 2007, em dia 18 de maio e prestamos uma  homenagem para o professor Álvaro.

E o professor Álvaro gostou? 

Nossa, o professor Álvaro chorou! Um dia, estava na escola e ele chegou e falou: “Barros, olha, foi a melhor coisa que você fez, trazer a Fanegal para eu ver em vida”. Quando ele chegava na escola com o senhor Arlindo Alves, dia que iria levar tudo aquilo para além do túmulo. Era ele quem dava força para nós. E, hoje, a Fanegal tem o nome dele. Hoje é Fanfarra da Escola Estadual Álvaro Augusto Nogueira. Depois disso, começamos a trabalhar, durante esse período da primeira administração do Sérgio de Mello e nos apresentamos na Câmara por ocasião de algumas homenagens, antes da gente ir para o 18 de maio, por que Guaíra inteirinha estava naquele dia lá.

 

A velha guarda estava lá?

Guaíra inteirinha estava lá, subi chorando, soluçando diretamente para a câmara. Então aquilo para nós, Nossa Senhora, é de arrepiar, porque nós entramos em forma ali perto da Maracá, depois passamos em frente à câmara para poder prestar essa homenagem. Estavam presentes os vereadores antigos, alguns familiares também; isto aconteceu em 2007. As pessoas nos parabenizavam e vinham me abraçar, me cumprimentar, mas eu  falava: “O  mentor está lá em cima do carro alegórico”, que era o professor Álvaro.

 

Os instrumentos estavam bons?

Tivemos apoio da Câmara para os uniformes, mas os instrumentos ainda precisávamos de três para formar um, a gente precisava ensaiar, não tinha instrumento, remendamos o que foi possível… Não tinha nada, não tinha verba… Aí, depois, quando fomos para o 18 de maio e precisávamos de instrumento, a Cida Ferreira, diretora da Secretaria da Educação, me serviu, me deu instrumental que precisava, comprei instrumentos percussão, sopro… Nivaldo e eu trabalhamos ali, durante o resto da administração do Sérgio de Mello, como voluntários. Assim, todas as vezes que eu precisava de material, pedia socorro à Cida Ferreira. Gostaria também de frisar que abrimos um Livro de Ouro com a dona Lourdes Vacaro, um braço direito meu, que nos ajudou também na manutenção da fanfarra para ter mais alguns instrumentos, porque a secretaria tinha um limite que podia ajudar, então nós conseguimos através do empresariado de Guaíra. Quero agradecer a este empresariado tanto do comércio, como dos agricultores, pela confiança que tinham na gente. Esses empresários nunca exigiram nada e nos ofereciam valores altos, inclusive, passavam o cheque sem um documento, sem nada. Assim que era gostoso de trabalhar porque a pessoa sentia que éramos confiáveis. Então, tocamos a fanfarra através de voluntarismo; o Nei Tosta na parte de coreografia foi um braço muito forte – foi uma perda muita grande. Depois, saiu essa administração do Sérgio e continuamos na do Zé Carlos, aliás, consegui através de um convênio da associação de bandas de Ribeirão Preto e trouxe uma equipe de maestros para trabalhar com a gente. Assim, a prefeitura disponibilizava uma verba para pagar esse convênio. Então como eu estava nesse convênio e o trabalho deles seria mais ou menos dois anos para poder implantar uma fanfarra, o Zé Carlos deu este apoio.  Só sei que aquele ano não ia apresentar, mas como a fanfarra estava formada, apresentei no 18 de maio. Contratei um rapaz de Barretos e começamos a trabalhar, ir atrás de música.

Falar em Fanegal não é falar de música, são toques marciais, a história não pode acabar, se um dia eu não voltar para a Fanegal, por favor, não a deixem acabar. Aqui, em Guaíra, o povo gosta de ver os toques marciais, o toque de marcha; nós pegamos isso do professor Álvaro: disciplina, frequência, aquele garbo, a postura, o alinhamento. O povo gostava de ver isso.

 

Houve convites?

Quando montamos a fanfarra em 2007, fomos convidados. Outra coisa, quando a Fanegal voltou, o Arquidiocesano de São Paulo me ligava, a turma da Associação de Bandas da Fanfarras, os Maristas, também. A Fanegal tem um nome forte lá em cima. Naquele ano, teve um concurso de Bandas Fanfarras em Rifaina (SP) e a associação de bandas me convidou.  Foi aquela empolgação para a meninada. Para mim era para fazer apenas uma apresentação, não estávamos concorrendo. Havia 16 fanfarras da nossa categoria, mas pensava em não concorrer, porque não estávamos preparados, nosso instrumental era diferente dos concorrentes.  Mas me convenceram a participar e quando entramos na avenida, com aquela postura, com a disciplina, o povo se empolgou e começo a gritar: “Já ganhou!” Pegamos um quinto lugar! Se tivesse um pouquinho mais, uma música a mais, um repertório a mais,  tínhamos feito como fazíamos antigamente, ia ser primeiro lugar!

 

Hoje, para ela voltar esta difícil?

Quando o José Eduardo entrou, eles foram atrás de mim no Enoch. Primeiro foi o vice Renato Moreira, depois foi o José Eduardo e o chefe de gabinete. Me cederam os espaços, eu até estava tirando a fanfarra de dentro do Enoch, porque não estava tendo espaço.  Consegui todo o espaço que precisava para a fanfarra no CSU, só que ficou assim: o José Eduardo falou que o secretário da cultura – que eu nem conheço – ia ligar para mim para poder acertar detalhes. Só que até hoje eu estou esperando esse rapaz me ligar, porque eu liguei para ele, mas não houve retorno.

Então, isso aqui está difícil, porque parece que a Fanegal não é cultura, parece que a Fanegal não tem significado em Guaíra; está igual ao guairense que é só lembrado de quatro em quatro anos no palanque, depois esquecem. Esboçamos o projeto da fanfarra, os valores que eu precisava, porque tenho uma equipe – maestro não vai trabalhar de graça – de um coreógrafo, também não trabalha de graça… O Nei trabalhou, mas era o Ney. Tem as despesas da Fanegal, porque todo projeto tem que ter verba. Então mandei o projeto para ele os valores que precisava, mandei por e-mail, um dia pelo WhatsApp, não houve retorno.

 

Barros, quer deixar algum apelo para os comerciantes e autoridades? No que o jornal pode ajudar?

Acho que o jornal pode lembrar, de vez em quando, o nome da Fanegal. Hoje, a Fanegal, por ser Estadual e não ter nada a ver com o município, enfrenta dificuldade com os projetos! O valor do projeto para tocar a fanfarra é irrisório. E outra coisa, a Lyra musical  voltou e parece que tem três ou quatro membros de Guaíra, o restante  importaram da cidade de fora. Se eu tivesse dado uma continuidade nesse projeto da Fanegal, hoje a Lyra poderia ser composta por alunos da Fanegal, pois já tínhamos muitos músicos. Hoje, a Banda poderia estar sendo composta só por alunos da Fanegal.

 

Então você quer fazer um apelo?

Gostaria de pedir sim, porque a Fanegal, por ser estadual, é difícil ter verba municipal, mas eu gostaria de continuar tendo o apoio do empresariado de Guaíra, para que a gente retorne com a fanfarra. Hoje, ela está totalmente paralisada. Estamos precisando de apoio financeiro, porque aluno eu tenho, inclusive, até gostaria aqui de convidar os alunos das antigas e da média para a gente bater um papo, quem sabe voltar, porque os Maristas de Uberaba voltaram com tudo; lá tem advogados, engenheiros e também tem – como comentei – gerações unidades de avô, pai e neto, até bisneto no meio! Ribeirão Preto também está voltando.

 

Gostaria de ressaltar algo mais?

Aqueles pontos que sempre coloco, de mexer com a política, porque não tive mesmo o apoio do Sérgio de Mello, tive um apoio até então do José Carlos Augusto, mas até outubro, então, foi prejudicial para a fanfarra quando ele cortou esse projeto. Agora, nessa administração, não estou tendo muito respaldo. O José Eduardo, quando estava à frente do sindicato, ia sempre lá ver algum ensaio nosso. Mas, sou brasileiro, não desisto e não perco a esperança!


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