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Entrevista da Semana

A dedicação de Ricardo como cerimonialista

Cidade
Guaíra, 15 de julho de 2018 - 09h28

 

 

 

 

 

 

 

Ricardo Alexandre Ferreira Sores, 43 anos, tem um curso incompleto em Ciências da Computação e hoje é recepcionista na nossa Santa Casa. Ele afirma que gosta muito de trabalhar com pessoas, principalmente porque o horário de seu trabalho – da meia noite até às seis horas –  lhe dá a oportunidade de receber pessoas fragilizadas, com um pedido de socorro, precisando de uma atenção especial. Assim, afirma que é preciso ter um “feeling” apurado para tratar com delicadeza e atender com presteza todos que ali chegam. Como uma forma de “hobby” começou uma carreira paralela: de cerimonialista – que hoje se tornou uma realização pessoal.

 

Então, hoje você além de trabalhar na santa casa é também cerimonialista?

Sim, na verdade eu desenvolvo esta atividade desde 1998, mas ela andava meio estagnada, meio parada. Mas, aí me casei e, tendo uma pessoa para me ajudar, decidi voltar! Fiz uma pequena divulgação e teve uma aceitação muito grande. Graças a Deus tenho uma agenda de com atividade até 2019.

 

O que faz um cerimonialista?

O cerimonialista cuida da parte de assessoria e organização completa de um casamento, ou de uma festa. Uma noiva nos procura, então, começa-se a dar início a uma orientação desde a confecção do convite até a hora em que se joga o buquê na festa. O cerimonialista acompanha a noiva em tudo. Vai junto escolher a decoração, decidir o cardápio do buffet, o tipo de bebida, entrada e pratos principais, espaço para a festa, depois se coordena todos os profissionais que trabalham nesta festa e, no grande dia, acompanha na igreja e coordena a entrada dos padrinhos; ordena-se tudo, dá-se assessoria à festa inteira. Então, de algum modo, o cerimonialista é o responsável pela organização completa da festa.

 

E aniversário também?

Sim, nós só não fazemos festas temáticas, por exemplo, agora está essa fase do “Unicórnio”, nós não temos a decoração, mas uma festa tradicional de sete anos, oito anos, quinze anos, trinta anos nós fazemos, como também bodas de ouro, prata, 70 anos. Só não fazemos mesmo festa temática, tipo “Bela e Fera” não, estas não, mas todos os tipos de aniversários sim.

 

Como você descobriu essa vocação para cerimonialista?

A primeira festa surgiu há 20 anos, quando eu tinha uma escolinha de música lá no Bairro João Vacaro. Eu era professor de teclado! Uma amiga me convidou para tocar na igreja no casamento dela.  Fui tocar, então, ela me pediu para organizar a festa para ela também, foi a partir disso que eu peguei gosto. Organizei a festa, toquei no casamento, fiz tudo o que ela queria e pensei: “É disso que eu gosto!”. Em seguida, apareceu outra amiga, do trabalho, que também me pediu para organizar sua festa… Aí as “coisas” foram acontecendo,  foram deslanchando…

 

Foi aí que desencadeou esse dom?

Foi aí que surgiu, graças a Deus.

 

Ricardo você fala muito em “nós”, “a gente”… É você e quem?

Eu e o Franklin; que é o meu parceiro.

 

Você está casado há quanto tempo?

Dia 12 de julho fez um ano.

 

Esta sua opção já te ocasionou algum constrangimento?

Minha opção sexual? Não, de forma alguma! Hoje em dia, Graças a Deus, o convívio que nós temos no nosso relacionamento é muito bom, existem pessoas com uma mente totalmente aberta, então, é uma aceitação muito grande; nunca tivemos problemas com nada. O Franklin veio de uma forma tão boa na minha vida, veio para poder acrescentar, então, as pessoas que me conhecem e conhecem nossa história de vida valorizam muito mais. E quando fechamos um contrato com uma pessoa, ela fica muito satisfeita, nos escolhe para organizar o seu casamento… Então, é muito bom.

 

E tem alguma festa que te marcou bastante?

Embora esta festa fosse a minha, fosse nossa festa, eu que organizei todo o evento, então para mim, para a minha realização, a maior que fiz foi a do meu próprio casamento.

 

O que teve de tão extraordinário?

É porque a festa contava a história da união de dois príncipes, duas pessoas que se esbarram na rua por acaso, se conhecem e, depois de três dias, se encontram em numa rede social e se apaixonam. Depois de certo tempo, descobrem que eram os dois que tinham se esbarrado há muito tempo na rua. Depois, no casamento, foi contada a história de dois príncipes, tivemos a entrada das demoisselles, das damas, o cortejo. Foi um casamento dos sonhos.

 

O que é demoisselles?

São as antigas damas de honra, na época da realeza, que levavam e cortejavam os príncipes, então, no meu caso, nós levamos sete damas de honra, todas adultas, defendendo a corte, que era a pureza; foi uma história bem legal.

 

Hoje, quem quer contratar seu cerimonial tem um nome a sua empresa?

Sim, chama “RAFE Soares Cerimonial”, Rafe são as iniciais de Ricardo Alexandre Ferreira. Nós estamos disponíveis no Facebook, nas redes sociais, temos páginas também, WhatsApp.

 

Já se deparou com alguma noiva que não seja lá muito romântica, que não goste muito de babados, de cores?

Sim, às vezes ela chega e diz: “Oh, quero um casamento com muitos badalecos”, ou “não gosto de muitas informações”.  Como você fica praticamente um mês com a noiva, dá para conhecer o projeto, então você vai oferecendo uma coisa e outra, até chegar num denominador comum. Há noivas que querem arranjo de um metro em cima da mesa, mas outras que querem só uma velinha com uma rosa, uma coisa mais simples. Cada casamento é um projeto, a gente demora um ano para realizar.

 

Alguma coisa já deu muito errado?

Graças a Deus nunca, só acontece muito assim, na semana do casamento, a noiva muda tudo: “ah eu não quero isso mais, vamos mudar”. Aí a gente muda na medida do possível e condições.

 

É caro um cerimonialista?

Não! O trabalho de assessoria em si não, porque vemos que, infelizmente, o guairense ainda valoriza muito as pessoas de fora. Temos belíssimos profissionais aqui, tanto é que quando eu casei, todos os profissionais foram aqui da cidade. Eu não busquei ninguém de fora, todas decorações, buffet, o cerimonial completo, tudo de Guaíra. Porém, o que diferencia demais é que eu cobro um determinado valor aqui e Barretos cobra três vezes mais, e é valorizado. Você vê muitas postagens em rede social e nós que estamos aqui com a mesma qualidade, mesma capacidade, mas, infelizmente, hoje em dia existe muito nome.

 

Você dá sua opinião também no vestido da noiva?

Não, o vestido elas pedem para nós acompanharmos, mas é muito complicado você chegar e falar para a pessoa e dizer que não é bonito, então, você não dá palpite, porque esse é a única parte que a gente tenta não dar muita opinião, acompanhamos, vamos ver, porém, não vamos falar. Mas, no geral, tudo o que vimos até agora ficou muito bom.

 

O noivo também dá palpites?

Ele quase nem participa, festa de 15 anos quem faz é a mãe, você quase nem vê a debutante. Casamento praticamente é o mesmo: sempre a noiva; o noivo é raro mesmo. Agora, muitos casamentos eu conheço noivo na porta da igreja, então você não tem muito contato. Tudo é a noiva, ela quem decide tudo. Ele chega lá sem saber o que fazer, aí nós vamos dando as coordenadas. Agora, na festa de 15 anos, não adianta, tudo é a mãe. Ultimamente, temos recebido noivas que são mais novas, estamos com noivas de 17 anos casando tudo certinho, voltou até aqueles casamentos 17h30 da tarde, está voltando isso… As festas no centro de lazer, que estava abandonado. Então, tem muitos pais que dão opinião em tudo, a menina fica até quietinha e os pais dando opinião. Eu disse para o Franklin que nós participamos de um público diferenciado, é uma coisa boa, é uma aceitação boa, pessoas com uma mente totalmente diferenciada, formada, um público humilde. Graças a Deus, somos muito privilegiados.

 

Ainda tem alguma coisa para explorar nessa parte de auxiliar com casamentos? De onde você traz as ideias?

A ideia parte do primeiro momento em que você fala a primeira vez com a noiva, a partir do momento que você vê quem é a noiva, mais ou menos vê o “feeling” dela e aí monta-se o projeto, muitas coisas… Graças a Deus, a tecnologia de hoje ajuda muito; se não fosse o tal do WhatsApp… Tanto é que todos os casamentos a gente coordena os grupos de padrinhos por WhatsApp, as listas de presença dos padrinhos são todas feitas pelo grupo.

 

Gostaria de fazer algum agradecimento?

Gostaria de agradecer primeiramente muito a Deus; graças a Deus; sou muito católico, não sou praticante da igreja, mas tenho as minhas promessas, novenas, tenho o meu Deus, que é acima de tudo, de qualquer coisa. Sou devoto de São Judas Tadeu, Nossa Senhora Aparecida, são neles que eu me agarro e eles que me defendem e me dão forças para conquistar tudo isso. Tenho que agradecer imensamente à Inara pela oportunidade que está dando pelo Jornal O Guaíra; é uma pessoa maravilhosa, ela é um encanto. Agradecer imensamente ao Franklin, que é um parceiro maravilhoso, uma pessoa que em uma semana (ele é do Mato Grosso do Sul, Camapuã) pedi em casamento e ele teve só esse tempo para ir lá na casa dele, pegar suas coisas e voltar. Largou tudo, família… E encarou tudo, apostou em mim, confiou e graças a Deus está dando muito certo.  Não peço nada, só tenho que agradecer. Sou digno só de agradecer. Sem dúvidas minha mãe é um esteio muito importante, a Vera Marta; essas são as pessoas mais importantes que tenho na minha vida: Deus, minha mãe e o Franklin.


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