Jornal O Guaíra

 
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Burocracia: integridade ou retrocesso? PDF Imprimir E-mail
08 de fevereiro de 2010

No mundo todo existem vários tipos de burocracia. Aparentemente, a intenção da burocracia é ajudar a garantir a integridade e segurança de nós, cidadãos, mas como diferenciar a tênue linha que diferencia a garantia de integridade ao cidadão e o retrocesso em termos de sociedade? Falando em termos de necessidades, em praticamente todo o país o cidadão depende do órgão público para sanar, ou pelo menos tentar sanar, várias de suas necessidades, inclusive uma das mais básicas, que é a saúde. Em Guaíra a demanda é grande, por isso, a Santa Casa tentou adquirir alguns equipamentos essenciais para evitar que vários cidadãos dos nosso município precisassem se locomover até outras cidades para fazer um exame ou tratamento. Um deles é o tomógrafo. Mas adivinhem o que aconteceu?

A solicitação esbarrou na tal burocracia e ela não deixou que Guaíra tivesse esse equipamento. Mas porque isso acontece? Guaíra faz parte do DRS (Departamento Regional de Saúde) de Barretos, o que faz com que toda aquisição de equipamento para o nosso município passe pela cidade vizinha. Uma vez chegando a Barretos, a solicitação não é aprovada, pois a tal burocracia só permite que este equipamento possa ser adquirido em municípios com mais de 100.000 habitantes. Aí é que entramos na questão do retrocesso social. Dentre as cidades que fazem parte da DRS de Barretos, Guaíra é a 3ª com o maior número de habitantes, ficando atrás de Barretos e Bebedouro. Como cidades menores não podem ter alguns equipamentos, como o citado tomógrafo, todos os cidadãos das 19 cidades que fazem parte desta DRS ficam na dependência de Barretos para fazer uma tomografia, a não ser que a cidade tenha um equipamento particular. Em Guaíra já tivemos casos em que, ou a pessoa aguarda 4 ou 5 meses para fazer uma das 5 (isso mesmo. Apenas 5) tomografias disponibilizadas a Guaíra por mês, ou desembolsa de R$400 a R$500,00 para ir até Barretos fazer o exame particular.

Agora imaginem o que se passa na cabeça de um paciente em estado grave e que não tem condições de arcar com esse valor para fazer um exame, e ainda ter que aguardar até 5 meses para fazer um exame. 5 meses é muito tempo e pode custar uma vida. E isso tudo por causa da tal burocracia.

A verdade é uma só: nós somos reféns de uma situação a qual não temos controle. E se caso precisarmos de um serviço desses, ou arcamos com as despesas, ou esperamos até a burocracia permitir que nossa necessidade seja sanada. E isso tudo sem mencionar que todos nós cidadãos pagamos altos impostos para ter acesso à saúde e vários outros direitos. Mas ao que nos parece, a tal burocracia passa acima dos direitos do cidadão, cidadão este que paga os mesmos impostos de quem mora em uma grande metrópole.

E até quando nós cidadãos ficaremos reféns da tal burocracia? Em conversa na Câmara Municipal de Guaíra na última quarta-feira, buscamos uma resposta para essa pergunta. Na ocasião, a Santa Casa fez a prestação de contas aos nobres Vereadores e foi feita uma sugestão. Nós na condição de imprensa nos sentimos não só no dever, mas também no direito de tornar público e reivindicar o que foi proposto.

Se não temos condições de tentar daqui para o poder público, que o poder público fale por nós. A proposta foi que os nossos Vereadores, Prefeito e todos os nossos representantes tentem conseguir equipamentos desse tipo com seus deputados e superiores, pois as nossas tentativas enquanto cidadãos foram barradas.

Se debaixo para cima é impossível, que venha de cima para baixo, e que essa tentativa de driblar a burocracia para que realmente tenhamos o que é nosso de direito seja conquistada. Assim nós cidadãos teremos mais qualidade de vida e a satisfação de ver que somos bem representados.

 
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