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Ministro diz que é prudente gestante usar preservativo para evitar Zika

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Guaíra, 11 de Março de 2016 - 09h18

A diretora da organização, Margaret Chan, disse que a transmissão sexual do vírus é maior do que se imaginava

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse ontem (09) que é prudente a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para que gestantes usem preservativo ao fazerem sexo com parceiros que foram para áreas endêmicas do vírus Zika.

“Já são vários casos identificados de que as mulheres que pegaram o vírus de parceiros que estiveram em lugares onde tem a doença”, ressaltou Castro, em coletiva à imprensa, na tarde de hoje, para divulgação do novo boletim de microcefalia. No Brasil, a recomendação é a mesma.

Depois da reunião do comitê de emergência em Zika da OMS, ocorrida na tarde de quarta (08), a diretora da organização, Margaret Chan, disse, em coletiva à imprensa, que a transmissão sexual do vírus é maior do que se imaginava.

Outra recomendação da organização é que as grávidas evitem viagens para países onde há circulação do vírus Zika. “Como o Brasil é endêmico, nós não vamos dizer para nossas gestantes não irem para lugar tal dentro do país, mas dizemos que tomem as precauções, que tomem todos os cuidados. E os cuidados valem para que estiverem no Brasil, brasileiros ou visitantes”, disse Marcelo Castro.

Durante a coletiva, o diretor de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, disse que o Ministério da Saúde está trabalhando próximo da OMS para ações relacionadas ao vírus Zika. “A OMS tem trabalhado muito próxima a nós, em todas as reuniões foi pedida a nossa participação”, ressaltou o diretor.

A “ponta do iceberg”

A microcefalia, condição em que a criança nasce com um crânio menor do que a média, é considerada apenas a “ponta do iceberg” de complicações associadas ao vírus da zika.

Médicos e pesquisadores começam a falar em uma síndrome congênita da zika, que inclui outros dados relatados, como calcificações no tecido cerebral, hidrocefalia, problemas nos olhos, nos ouvidos e nas articulações e até membros com má-formação.

“Em uma grávida que teve sintomas de zika com 18 semanas, o bebê tinha catarata em um dos olhos, um olho menor que o outro, além de cérebro e cerebelo quase inexistentes”, apontou a médica Adriana Melo, da Paraíba, um dos Estados com maior número de crianças afetadas.

Casos de bebês com sobreposição de dedos, braços e pernas curvadas e até com um braço maior que o outro foram apresentados durante um seminário sobre zika no Recife, que reuniu profissionais de vários Estados para compartilharem experiências.

Nos casos relatados de maior gravidade, as crianças não sobreviveram. Essas são algumas das 139 mortes durante a gestação ou após o parto investigados pelo Ministério da Saúde até o início de março.

Os problemas não se restringem ao desenvolvimento da criança durante a gestação. A médica Ana Van der Linden, que acompanha cerca de 50 crianças com microcefalia no Recife, aponta que 10% dos bebês desenvolveram epilepsia por volta do terceiro mês de vida.

Outra preocupação é o aparecimento de líquido dentro do crânio após o nascimento. Alguns bebês nasceram com microcefalia e, após o nascimento, a área vazia deixada pelo cérebro de tamanho reduzido foi preenchida por líquido.

Ainda que já tenha sido confirmado por pesquisas que o vírus da zika afeta tecidos no cérebro e também o tronco cerebral de fetos, os pesquisadores ainda sabem muito pouco sobre sua ação. A princípio, acreditava-se que a infecção pelo vírus fosse mais prejudicial nos primeiros meses da gravidez. Contudo, um estudo feito com grávidas do Rio de Janeiro apontou que filhos de mulheres contaminadas entre a 5ª e a 38ª semanas de gravidez apresentaram más-formações, como microcefalia, calcificações cerebrais, restrição de crescimento intrauterino, ausência de hemisférios cerebrais.

Nesse estudo, 29% das grávidas infectadas por zika acompanhadas esperavam bebês com alterações neurológicas. Até o dia 5 de março, 745 casos de microcefalia ou alterações neurológicas foram confirmados em 18 Estados do país.

Complicações da zika em jovens e adultos

Além das consequências graves que o vírus da zika têm apresentado em gestantes, a doença também preocupa pelo aumento de complicações neurológicas em jovens e adultos que estão associadas à zika.

Desde que o vírus foi percebido no Brasil, aumentou o número de casos reportados de síndrome de Guillain-Barré, que provoca paralisia muscular. De acordo com o Ministério da Saúde, o país teve 1.868 internações pela síndrome em 2015 –29,8% mais que em 2014.

Há relatos ainda de pacientes que desenvolveram outras complicações neurológicas após serem infectados por zika. “Guillain-Barré é a manifestação predominante. Mas há casos de meningite, meningoencefalite, encefalites. Então esse vírus não leva exclusivamente a Guillain-Barré”, explica Carlos Brito, pesquisador da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

Pacientes com zika já foram diagnosticados com Adem (encefalomielite aguda disseminada, na sigla em inglês), que afeta o sistema nervoso central e provoca paralisia, e também com encefalites — houve pelo menos duas mortes no Rio de Janeiro.

Nesta semana, um estudo publicado na revista científica Lancet relatou o caso de uma jovem de 15 anos em Guadalupe que, após infecção por zika, teve mielite aguda, grave doença na medula.

“Ainda sabemos muito pouco. Por isso, pedimos para que os médicos fiquem atentos a qualquer doença neurológica em pacientes com antecedente de zika”, afirma Brito. (Agência Brasil e UOL)


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