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Pacientes do HC de Barretos ganham um novo aliado após o câncer do colo do útero

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Guaíra, 27 de Maio de 2016 - 08h11

De acordo com o médico, a ferramenta é colocada na paciente após a cirurgia para retirar o câncer. Depois de 30 dias, a paciente retira o dispositivo no próprio consultório

 

Um dispositivo desenvolvido por um cirurgião oncológico do Departamento de Ginecologia do Hospital de Câncer de Barretos vai ajudar as mulheres que passaram pela cirurgia de retirada do câncer do colo do útero a terem mais chances de engravidar. A ideia de criar o objeto surgiu em uma festa de criança.

O médico responsável pelo projeto, Marcelo de Andrade Vieira, estava com a filha, Eduarda, quando ela apareceu com um balão em um aniversário. “A bexiga era ligada a um palito por um pega balão. Isso me inspirou a desenvolvê-lo. Em homenagem a ela, batizei-o de DUDA – Dispositivo Uterino para Dilatar o Anel Endocervical”, contou.

Em tratamentos cirúrgicos de tumor do colo do útero, observou-se que as pacientes apresentavam o fechamento (estenose) do canal do órgão certo tempo após o procedimento. Por isso, viu-se a necessidade da fabricação de um dispositivo que evitasse ou diminuísse essa complicação.

“Atualmente, o estreitamento do canal endocervical (colo do útero) após a cirurgia interfere diretamente na fertilidade da mulher, no seguimento oncológico e na qualidade de vida dessas pacientes. É uma das mais importantes complicações que acontece depois de realizar a retirada do tumor. O DUDA surge, então, como uma alternativa viável para tentar diminuir isso”, afirmou Vieira.

De acordo com o médico, a ferramenta é colocada na paciente após a cirurgia para retirar o câncer. Depois de 30 dias, a paciente retira o dispositivo no próprio consultório. “O útero vai cicatrizar em volta do objeto, o que irá preservar a fertilidade feminina, pois haverá espaço para a menstruação e também para a passagem do espermatozóide.”

As chances de uma mulher engravidar após a cirurgia, segundo o cirurgião oncológico, são baixas, cerca de 60%. Sendo que a metade deverá precisar de algum tipo de tratamento para conseguir ter filho. No entanto, apenas mulheres que estão em idade fértil e que o tumor não tenha comprometido todo o órgão podem passar pelo procedimento.

Foi graças ao “Duda” que a gerente financeira de Naviraí, no Mato Grosso do Sul, Ana Paula da Silva Azevedo, de 32 anos, conseguiu engravidar. Ela descobriu a doença no fim de 2014. O primeiro médico que a atendeu recomendou o tratamento mais agressivo: queria retirar o útero, ovários e trompas. Mãe de um menino de oito anos com síndrome de down, Ana Paula não se conformou com a resposta do médico. “Eu queria ter outro filho”, disse.
Transferida para Barretos, o caso dela passou a ser de responsabilidade do Dr. Marcelo de Andrade Vieira. No começo do ano passado, a gerente financeira passou por uma cirurgia para retirada do tumor e colocar o dispositivo. Meses depois, já liberada pela equipe médica para engravidar veio a surpresa. “Estou grávida de 16 semanas. Se for menino será Vitor, se for menina, será Vitória, para representar o que essa criança significa pra mim”, relatou.


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