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Protetor de tireoide pode prejudicar mamografia e radiografias dentárias

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Guaíra, 11 de outubro de 2016 - 08h23

De acordo com especialistas, a paciente tem direito de solicitar o uso do protetor e, aí sim, os técnicos devem colocar, de preferência esclarecendo que há o risco de ter que repetir o exame

Muitas mulheres se surpreenderam com um vídeo recebido pelo WhatsApp nos últimos dias em que uma mulher, sem se identificar, conta que soube, pelo médico Dráuzio Varella, que a incidência de câncer de tireoide pode ter aumentado devido à exposição a radiação em exames de mamografia e raios-X dentários. O uso do protetor de chumbo no pescoço evitaria esse risco, e ela se dizia indignada por ter tido que pedir o material em uma clínica.

O fato é que o médico nunca fez essa afirmação, conforme explicou na última sexta-feira (7) à BBC Brasil. O que ele havia criticado, em seu site, é o fato de muitos ginecologistas pedirem ultrassom de tireoide desnecessariamente.

Uma mensagem desse tipo já havia circulado antes, o que fez o CBR (Colégio Brasileiro de Radiologia), a Sociedade Brasileira de Mastologia e a Associação Brasileira de Odontologia divulgarem pronunciamentos para esclarecer que o uso do protetor de tireoide não é obrigatório e que, em alguns casos, pode até prejudicar o diagnóstico, exigindo um novo exame e uma exposição adicional à radiação. Há até estudos científicos publicados sobre isso.

O CBR foi comunicado de vários locais em que os pacientes solicitaram o protetor, cuja existência nas clínicas é determinada pela Portaria 453, de 1998. Se o material é obrigatório, mas seu uso não é recomendado, não seria útil revisar a regulamentação?

“O protetor não é retirado porque está em conjunto com os demais protetores utilizados em casos especiais, como, por exemplo, quando há uma suspeita clínica em uma paciente gestante e é necessário realizar a mamografia nela”, explica Linei Urban, coordenadora da Comissão Nacional de Mamografia do CBR. “Entretanto, não há nenhuma situação específica em que seja obrigatório utilizar o protetor de tireoide.”

De acordo com a especialista, a paciente tem direito de solicitar o uso do protetor e, aí sim, os técnicos devem colocar, de preferência esclarecendo que há o risco de ter que repetir o exame. Ao contrário do que sugere a autora do vídeo que circula no WhatsApp e no Facebook, nenhum médico ou clínica lucraria ao não oferecer o colar, já que ele não é descartável.

No caso dos consultórios odontológicos, o posicionamento é o mesmo. “A utilização do protetor de tireoide não seria indispensável, porém, todos os estabelecimentos de radiologia odontológica, para obterem sua licença sanitária, precisam possuir os aventais de chumbo e protetores no caso do paciente solicitar (desde que não interfiram no diagnóstico radiográfico)”, informa Maurício Barriviera, professor de radiologia odontológica da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Segundo Barriviera, o protetor de tireoide é usado, com maior frequência, nos exames radiográficos intraorais. “Nos exames radiográficos extraorais (radiografia panorâmica e tomografia computadorizada) não se utiliza o protetor de tireoide porque, na maioria dos pacientes, ele costuma interferir no diagnóstico porque pode se sobrepor a estruturas anatômicas ou patológicas de interesse”, diz.

De qualquer forma, é bom saber que a tireoide é uma glândula bastante sensível aos efeitos da radiação. As crianças são as mais vulneráveis, como alerta documento da Associação Americana de Tireoide sobre a polêmica toda. Pacientes submetidos à radioterapia também precisam ser monitorados.

As sociedades lembram que exames desnecessários devem ser evitados, especialmente em crianças. Mas não há motivo para culpar o raio-X e a mamografia por um eventual câncer de tireoide. (UOL)


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